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A exemplo da UFRJ, cortes podem levar Ufac a fechar as portas também, avaliam

Discursos foram de repúdio à política educacional implementada pelo governo Michel Temer Discursos foram de repúdio à política educacional implementada pelo governo Michel Temer

A Universidade Federal do Acre (UFAC) enfrenta cortes orçamentários desde 2015, além de refletir no índice de evasão, a crise pode levar a universidade a fechar as portas, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro fez na última segunda-feira, 31 de agosto.

Temendo possível episódio o Diretório Central dos Estudantes (DCE), a Associação dos Docentes da Universidade Federal do Acre (Adufac) e Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Terceiro Grau do Acre (Sintest/Ac) realizaram o “Dia de Luta e Paralisações em Defesa das Instituições de Ensino Públicas e Por Abertura de Negociações”, na manhã de terça-feira, 2, no pátio da reitoria.

Richard Brilhante, acadêmico do curso de História e presidente do DCE da Universidade Federal do Acre (UFAC), contou que o manifesto foi uma forma de acordar a comunidade acadêmica em relação aos cortes que ocorrem por parte do governo federal.

“Temos, hoje, um corte de 11% no orçamento para 2017, que refletiu em R$ 11 milhões na universidade, influenciando diretamente no restaurante universitário e nas bolsas na manutenção do campus. Então esses recursos que vem sendo cortados desde 2015 têm influenciado de forma direta na vida dos servidores e alunos. Esse ato é uma de mostrar que a universidade só tem recursos para investir até setembro, não só aqui, mas também mais 14 instituições por todo o país. E a exemplo da universidade do Rio de Janeiro podemos, inclusive, fechar as portas”, destaca Brilhante.

O professor do curso de Engenharia Florestal e secretário geral da Adufac, Moisés Lobão, diz que existem vários problemas em universidades estaduais, onde o serviço de vigilância foi desativado, houve demissão de servidores terceirizados e falta de pagamento de servidores efetivados.

“Frente a isso, vemos que nas federais isso não está longe de acontecer. E por isso estamos alertando, pois tudo isso está acontecendo por causa dos cortes que tem haver com a emenda constitucional, que foi votada no fim de 2016, a PEC 55, que coloca um teto nos gastos públicos”, disse o professor.

Segundo Lobão, quando há um teto de gastos significa que ele não pode ultrapassar uma determinada quantia, mas pode diminuir. Inclusive, essa diminuição tem acontecido e no caso da educação o problema é ainda maior.

“O ano referência para as demais despesas foi em 2016, para educação e saúde, como falaram que eram essenciais, colocaram como ano de referência 2017. E o valor dado foi muito menor que no ano passado. Temos gravíssimos problemas em termos de financiamento e sabemos que esses cortes grandes são no sentido de fazer com que sejam privatizadas”, explica o secretário.

Ainda de acordo com o professor, desde 2015, quando se iniciou os cortes no orçamento da universidade, que o pagamento de servidores terceirizados começou a atrasar. Além de cortes de bolsas, que em algumas modalidades chegou a quase 70%, e das atividades de ensino, pesquisa e extensão que cada vez está mais escassa.

“Há um problema sério de evasão dos cursos de graduação como um todo. Aqui, temos uma característica dos alunos serem carentes e se eles não têm a bolsa acabam desistindo. Existem cursos que chegam a 70% o número de evasão e na maioria dos cursos já atinge 40% só no primeiro semestre”, destaca Moisés.

O professor explicou ainda, que nos anos de 2013 e 2014 o índice de evasão e jubilamento do curso de Engenharia Florestal chegou a 55%.

O pró-reitor de planejamento, Alexandre Ricardo Hid, se pronunciou dizendo que, em 2017, a estrutura de organização e planejamento seguia estrategicamente.

“Em maio, saiu uma portaria da Secretaria de Orçamento Federal colocando uma limitação no nosso custeio de 10%, como sempre ocorria, e 50% em ações de investimento. Já em junho, veio uma recomendação, que não saiu nada oficial, de que devemos trabalhar com a restrição de 15% no total de custeio e 40% no total de investimento. Significa em números que tínhamos uma restrição de R$ 9 milhões no orçamento e agora será de R$ 13 milhões”, disse Hid, lamentando as dificuldades a serem enfrentadas.

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