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Comerciantes aproveitam praia e cultivam feijão às margens do rio Acre

Comerciantes aproveitam praia e cultivam feijão  às margens do rio Acre

Comerciantes do Calçadão Raimundo Escócio se uniram pelo 4º ano consecutivo e realizaram, neste sábado, 8, e domingo, 9, uma plantação de feijão na praia do rio Acre nas proximidades da Ponte Sebastião Dantas. Depois de lançar 1 quilo de sementes de feijão de corda e manteiguinha em covas de cinco centímetros cavadas com a ponta da enxada, a expectativa é que em 90 dias eles estejam colhendo algo em torno de vinte sacas.

1 IMG 7154“Já faz tempo que a gente aproveita esta praia para plantar alguma coisa. Sempre temos feijão ou macaxeira”, disse o lojista José Barbosa, que lançava as sementes enquanto o companheiro, Raimundo Costa, o Raimundão, preparava as covas.

O aproveitamento das praias do rio Acre é algo muito antigo e remonta aos primeiros moradores da região, os índios. Estudos dizem que ao tempo da primeira corrida de nordestinos, no século 19, “para as então remotas terras do sudoeste da Amazônia, hoje correspondentes ao Estado do Acre”, fugindo da seca dos anos 1880 e atraídos pelo ouro negro, o látex, eles se depararam com muitas terras, muita água e muitas praias. “Surpreendeu-se com uso que os índios faziam das praias para o cultivo de subsistência. Para suprir as próprias necessidades, que o mundo adverso, distante de tudo, não lhes provia, passaram a fazer uso desses ´solos´ intermitentes, típicos do verão”. Essa atividade passou a ser uma rotina de todo ribeirinho e trabalhador que vive nas barrancas do rio Acre.

O professor e secretário de Agricultura de Rio Branco, Jorge Fadel, já chegou a comparar o rio Acre ao rio Nilo por conta da fertilização natural de suas margens com a subida e descida das águas. De fato, todas as análises de fertilidade classificam os sedimentos dessas praias tecnicamente como cambissolos eutróficos, ou seja, férteis, semelhantes a muitos solos de terra-firme de várias regiões do Acre, confirmando a sabedoria popular ribeirinha sobre a alta fertilidade das praias dos rios que drenam o Acre. Dispensam, assim, o roçado, a queima e também a capina.

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