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Carta do Banco Central

Nos últimos artigos falamos muito sobre a inflação, especialmente da necessidade de impor controle. O brasileiro que nasceu depois da crise inflacionária do século passado, não conheceu o mal que ela traz. A inflação, numa linguagem simples, é o “aumento contínuo e generalizado dos preços em uma economia.”, ou seja, é o aumento diário, quinzenal ou mensal dos preços dos alimentos, bens duráveis, serviços e etc.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na última sexta-feira (08) o valor do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês de Novembro em 0,28%. Tivemos uma desinflação em relação ao mês de Outubro (0,42%) de 0,14%. No acumulado do ano ficou em 2,50% e em doze meses 2,80%. Isso reforça a opinião de que o IPCA ficará abaixo do piso da meta de 3% ao ano, lembrando que a meta estipulada para 2017 é de 4,5% ao ano, com tolerância de mais ou menos 1,5%.

As quedas ocorreram nos grupos de “Alimentação e bebidas (-0,38%) e Artigos de residência (-0,45%)” e as maiores altas foram na “Habitação (1,27% e 0,20 p.p. de impacto no índice do mês), e Transportes (0,52% e 0,09 p.p.).”

O IBGE ainda informou que pelo “sétimo mês consecutivo, os alimentos, que representam cerca de 25% das despesas das famílias, caíram de preço (-0,38%), uma queda mais intensa do que a registrada em outubro (-0,05%). Nos últimos 12 meses, a variação acumulada desse grupo é de -2,32% e, no ano, a variação está em -2,40%, a menor desde a implementação do Plano Real em 1994.”

No grupo Habitação, a energia subiu em média 4,21%. A explicação é que “Em novembro, vigorou a bandeira tarifária vermelha patamar 2, já com a cobrança adicional do novo valor de R$ 5,00 a cada 100 Kwh consumidos. Em outubro, a bandeira tarifária vigente também era a vermelha patamar 2, porém o adicional era de R$ 3,50 a cada 100 Kwh consumidos.” A variação do adicional da bandeira vermelha aumentou o valor despendido pelo consumidor, gerando o crescimento do gasto habitacional.

Outros indicadores também afetaram o dia a dia das pessoas em novembro como o “preço do gás de botijão subiu 1,57%, influenciado pelo reajuste nas refinarias de, em média, 4,50% no gás de cozinha vendido em botijões de 13kg, em 5 de novembro. Entre os Transportes (0,52% e 0,09 p.p.), destaque para a gasolina e o etanol, mais caros, em média, 2,92% e 4,14%, respectivamente.”

No grupo Alimentos, a queda de outubro para novembro foi de 0,72%, em especial a “farinha de mandioca (de 0,27% para -4,78%), tomate (de 4,88% para -4,64%), frutas (de 0,35% para -2,09%), pão francês (de 0,35% para -0,55%) e carnes (de 0,22% para -0,11%). Outros como o feijão-carioca (de -3,29% para -8,40%), os ovos (de -1,41% para -3,28%) e as carnes industrializadas (de -0,22% para -0,99%).”

A inflação de 2017 caminha para ficar abaixo do piso da meta de 3% ao ano (Boletim Focus da semana afirma 2,88%). Assim, é difícil um aumento do índice no último mês do ano em mais de 0,50%, uma vez que o consumo das famílias no mês de dezembro será com alimentos que tiveram uma queda significativa. Portanto, em 2018, o presidente do Banco Central deverá escrever carta ao Ministro da Fazenda com as justificativas, relevantes, que levaram a inflação a fechar 2017 abaixo do piso da meta de 3%.

Marco Antonio Mourão de Oliveira, 41, é advogado, especialista em Direito Tributário pela Universidade de Uberaba-MG e Finanças pela Fundação Dom Cabral-MG.

 

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