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A irresponsabilidade dos armamentistas oficiais

O anúncio, em breve, estará estampado nos principais jornais e revistas do país. Segundo os defensores do uso de armas de qualquer espécie, por cidadãos assustados pelo descontrole da violência e a impotência dos órgãos de segurança em garantir a ordem pública, é melhor, desde já,  armar o povo e deixar que cada um se vire para enfrentar os bandidos cada vez mais violentos.

A entrada de armas de guerra no nosso território, fornecidas sabe-se lá por quem, está escancarada, e os carregamentos para criminosos chegam com novidades tecnológicas e com preços mais atraentes do que as armas já usadas e com defeito que são descartadas pelas quadrilhas a ponto de deixarem algumas em seus esconderijos para fotografias midiáticas.

A irresponsabilidade dos armamentistas oficiais, populistas e enganadores oportunistas favorecem o medo e o desejo do uso de armas pela população. Hoje, se feito novo plebiscito, com certeza o resultado seria a favor da liberação total de armas. Não seria diferente se também fosse perguntado o que o povo acha da pena de morte; ou se a vítima ou sua família pudesse fuzilar o criminoso em praça pública como acontece em alguns países.

A violência está bombando nas redes sociais e, aquele que defende o “Estatuto do Desamamento” é massacrado e ameaçado em perfis fakes que espalham notícias falsas e arregimentam aliados para a anarquia e o caos.

Pessoas armadas, sem qualquer passado de criminalidade ou violência, atacam grupos que se divertem em espaços públicos ou privados em nome de seitas muitas das vezes solitárias, mas que assumem os crimes com a promessa de vida eterna.

Nessas nossas paragens, ainda não surgiu nenhum grupo organizado ou controlado por fanáticos internacionais, apesar de alguns jovens terem sido condenados por terrorismo e recolhidos à prisão. Imaginemos se estes nossos jovens tivessem acesso ilimitado a armas e munições, se não teriam, de fato, produzido atentados. Felizmente eles estavam no início da escalada quando foram contidos, processados, julgados e condenados, assustando e afastando outros interessados na prática de crimes.

Quanto aos criminosos comuns que assassinam com armas de fogo mais de 60 mil pessoas em nossas cidades por ano, não há condições de controlar a matança, pois os famosos são presos ou mortos em ações policiais ou em disputa de poder nas comunidades, sendo substituídos por asseclas. Instalados no topo das montanhas, assessorados por especialistas em enfrentamento e guerrilha, formam as suas milícias para, se possível, matar um policial por dia. E o que esperar dos profissionais de segurança, quando podem e devem assegurar a ordem em locais tão adversos? Morte!

Cidadãos, acuados, se  trancam em suas casas, cercam suas propriedades, contratam seguranças armados e, alguns, buscam outros criminosos para combater os que circulam nas proximidades dos seus lares, e se tornam cúmplices e reféns dos “benfeitores” bandidos.

Armados, homens e mulheres de bem resolverão as suas controvérsias na bala, como se estivéssemos nos tempos do bang-bang do velho faroeste americano em que o mais rápido eliminava o inimigo ou o abatia em emboscadas. A chegada do xerife, nem sempre o mais correto, mas sempre o mais eficiente, é o exemplo de como a sociedade, enquanto não encontra uma solução adequada para a criminalidade e a violência, busca a melhor maneira de sobreviver, hoje representada pelas forças de segurança pública e, excepcionalmente, pelas Forças Armadas. Copiar o exemplo americano do “cada cidadão uma arma” é nos jogar na situação em que estão os estadunienses. Todo mês um massacre.

Paulo Castelo Branco é colunista do site Congresso em Foco

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